De acordo com a autoridade imigratória do país, eles prometiam trabalho e legalização no país europeu; realidade, no entanto, era de exploração e habitação precária.
Três pastores brasileiros foram detidos nesta quinta-feira (9) em Portugal, acusados de tráfico de pessoas e auxílio à imigração ilegal.
De acordo com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), responsável pelas prisões, os líderes evangélicos atraíam cidadãos no Brasil com a promessa de trabalho e legalização da situação migratória no país europeu.
Durante a ação, que incluiu cinco mandados de busca na zona da Grande Lisboa, foram encontrados cerca de 30 brasileiros, que eram alojados pelos pastores nos locais em que ocorriam os cultos — em condições muito precárias, segundo a autoridade imigratória.
Segundo a rede de TV portuguesa RTP, os brasileiros, em sua maioria em situação ilegal no país, tinham de pagar aluguel de até 300 euros (R$ 1.358) para viver nestes locais, além de contribuir com 10% de sua renda mensal para a igreja.
O salário mínimo em Portugal é, atualmente, de 635,31 euros (R$ 2.875).
O esquema foi descoberto após denúncia anônima de um cidadão estrangeiro — nos alojamentos, havia também crianças.
Edite Fonseca Fernandes, inspetora do SEF, afirmou à RTP que os três pastores também são suspeitos de obrigar os imigrantes a trabalharem para a igreja sem remuneração, além de os “enganarem, fazendo-as acreditar que estão tratando de sua situação documental, coisa que de fato não acontece”.
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