A comissão do parlamento português discutiu as proposta de modificação da Lei de Estrangeiros , Lei da nacionalidade e criação de unidade de Eetrangeiros e Fronteiras na PSP Jair Rattner
Representante do partido do Governo afirmou que a proposta que altera entrada de estrangeiros deve ser aprovada até 16 de julho.
Na reunião da Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República, realizada nesta quarta-feira (9/7) o PSD recuou em relação à intenção do primeiro-ministro Luís Montenegro de ter o pacote anti-imigração aprovado até o final deste mês. Um dos representantes do PSD na comissão, o deputado António Rodrigues, afirmou que o objetivo é que a Proposta de Lei nº 3/XVII 1, que altera a Lei de Estrangeiros deve ser aprovada rapidamente, até 16 de julho. Já a Proposta de Lei nº 1/XVII/1, que altera a Lei da Nacionalidade, ele indicou que aceita que siga o caminho normal dentro do Parlamento, o que vai fazer com que só seja aprovada a partir de setembro deste ano. O prazo daté daqui a dois meses explica-se porque o parlamento vai entrar em recesso no dia 17 de julho, ficando sem plenário até setembro.
Em relação à criação da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF) na Polícia de Segurança Pública, a Proposta de Lei nº 2/XVII/1, os partidos que apoiam o Governo também queriam que fosse aprovada até 16 de julho. No entanto, o Bloco de Esquerda pediu o que é chamado de adiamento potestativo (sem votação), o que vai jogar a discussão provavelmente para setembro. A UNEF será responsável pelo controle das fronteiras e pelo afastamento do país de ilegais ou de pessoas cujo pedido de legalização foi rejeitado.
O que está em questão, nos prazos para a aprovação das leis, é se a comissão vai ou não seguir o processo legislativo normal e ouvir entidades como a Ordem dos Advogados, o Conselho Superior de Magistratura, ou outras instituições antes de aprovar as leis. É necessário que haja tempo para que cada uma das entidades seja ouvida na comissão, com questionamentos por parte de deputados. Segundo o deputado António Rodrigues, do PSD, “se forem ouvidas todas as entidades (indicadas pelos partidos), a votação das propostas só vai ocorrer em dezembro”.
O deputado Paulo Marcelo, do PSD, apresentou a justificativa para a pressa em aprovar a modificação na Lei de Estrangeiros: “A partir do momento em que se enunciam certas mudanças, é importante que sejam concretizadas, para ir de encontro a uma segurança jurídica”, afirmou.
A proposta de modificação da Lei de Estrangeiros, que altera o regime jurídico de entrada, permanência, saída e afastamento de estrangeiros de Portugal vai restringir o reagrupamento familiar, acabar com os vistos de procura de trabalho para que não for altamente qualificado, eliminar a possibilidade de um cidadão da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) entrar no país como turista – o que, no caso de brasileiros e timorenses não exige visto – e, já em território português, pedir o título de residência, entre outras modificações.
Em relação à Lei da Nacionalidade, a mudança que o governo quer fazer prevê que em vez de cinco anos de residência legal em Portugal, para se obter a cidadania portuguesa será necessário ter o título de residência há sete anos para nacionais da CPLP e dez anos para os de outras nacionalidades. Além disso, haverá a possibilidade de o imigrante que conseguiu a cidadania deixar de ser português, caso seja condenado por um crime grave, com pena de prisão superior a cinco anos nos dez primeiros anos a seguir à naturalização.
No debate sobre o processo para a votação das mudanças na aquisição da cidadania portuguesa, realizado na comissão, foram apresentados pelos partidos de esquerda – Partido Socialista, Bloco de Esquerda, Livre e Partido Comunista – a necessidade de serem ouvidas as entidades representativas dos imigrantes, como a Casa do Brasil, Associação Moinho da Juventude (cabo-verdianos). Essa proposta foi rejeitada pela maioria, formada pelo PSD, CDS, Iniciativa Liberal e Chega.
A deputada Isabel Moreira, do PS, reclamou da falta de diálogo por parte do Parlamento. “Nem serão ouvidas as associações que representam imigrantes. Excluíram todas as entidades e representam pessoas que hoje estão assustadas com estas leis. Estão assustadas com a leitura de nomes de crianças no Parlamento. Vocês sabem que o extremismo está a crescer”, comentou. Em resposta, a deputada Cristina Rodrigues, do Chega, disse que não havia razões para ouvir pessoas que não têm a nacionalidade portuguesa. “Somos eleitos pelos portugueses para dar voz aos portugueses e não precisamos de ouvir estas entidades”, argumentou.
Notícias Relacionadas
Lei da Nacionalidade declarada inconstitucional
Juízes entendem que princípio da igualdade não está garantido na lei que foi aprovada com…
Tribunal Constitucional de Portugal veta parte de lei que endurece regras para obter a cidadania
Entre os trechos vetados está a regra que negava cidadania a condenados a penas de…
Brasileiros ficam com 25% das cidadanias atribuídas por Portugal
Dados mais recentes do Instituto Nacional Estatística informam que foram cerca de 12 mil Os…