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Sem vaga em abrigo da prefeitura, haitianos lotam salão de igreja

Publicado em 06-02-2015

Inaugurado em agosto do ano passado como a principal ação da prefeitura de São Paulo para abrigar a onda imigratória que chega a São Paulo vinda do Acre, o Centro de Referência e Acolhida para Imigrantes (CRAI) não tem dado conta da demanda – somente nesta semana, seis ônibus repletos de haitianos chegaram em menos de cinco dias. Os veículos são fretados pelo governador Tião Viana (PT). Por causa disso, os imigrantes acabam sendo levados à Missão da Paz.

De acordo com o padre Paolo Parise, que administra a entidade, dois haitianos chegaram desidratados, pois faltou água de comida ao longo do trajeto. Muitos, segundo o padre, chegam sem a carteira de trabalho, documento que tem demorado mais de um mês para ser expedido e deve ser emitido no local de chegada dos imigrantes ao país – ou seja, o Acre. A falta do documento coloca os haitianos em risco. O padre relata já ter presenciado assédio por parte de empresas que desejam contratá-los sem garantir os direitos trabalhistas. Um grupo chegou a ir trabalhar no Rio de Janeiro, mas voltou ao abrigo da Missão Paz afirmando que não recebeu salário.

A crise provocada pelo envio irresponsável de imigrantes que entram no país pela fronteira no Acre foi deflagrada no início do ano passado, impulsionada pela cheia do rio Madeira. Com as estradas interditadas, o Acre transportou os imigrantes de Brasileia, onde funcionava um abrigo, para a capital Rio Branco, de onde embarcaram em ônibus fretados a São Paulo. O secretário de Justiça e Direitos Humanos do Acre, Nilson Mourão, nega que tenha aumentado o envio de ônibus na última semana. “Mantemos a mesmo ritmo, de fretar de dois a três ônibus por semana.”

A Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo afirma que a oferta de vagas para imigrantes não se restringe apenas ao CRAI. E que hoje há mais de 600 imigrantes acolhidos na rede da Assistência Social, com destaque ao Arsenal da Esperança, que abriga 300 pessoas.

Fonte: Revista Veja